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domingo, 28 de outubro de 2012

DIVULGAÇAO DE DOIS LIVROS

Dois livros que recebi como cortesia, recentemente. Dois exemplares de cada: um para mim, gentilmente autografados pelos colegas Jorge e Helder. Os outros vão para a biblioteca da Universidade Federal de Uberândia, como doaçao.

Estive em Teresina, no mês passado, para trabalhar na banca de mestrado que argüiu Joedson - escreveu sobre o novo republicanismo de Philipp Petit (em contraponto com as últimas idéias de Habermas). E me encarreguei de bom grado dessa divulgação, que aqui se inicia. Apresento o início de uma resenha ainda em construção, para o livro do Lubenow - que espero publicar pela nossa revista de Uberlândia, Educação e Filosofia. E sobre a coletânea apenas indico temas, por enquanto.





A CATEGORIA DE ESFERA PÚBLICA EM JÜRGEN HABERMAS:
PARA UMA RECONSTRUÇAO DA AUTOCRÍTICA

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LUBENOW, Jorge A. A categoria de esfera pública em Jürgen Habermas: para uma reconstrução da autocrítica. João Pessoa, Editora Manufatura, 2012. 158 p.



O autor, Jorge Lubenow, trabalha atualmente na Universidade Federal da Paraíba, onde o conheci em 1989, ocasião em que foi realizado lá um evento em homenagem aos 80 anos de Habermas. Estávamos juntos na comissão organizadora, ao lado de outros colegas. Ele é um dos representantes da nova e confiante geração de estudiosos da obra de Habermas e está a perfazer em pouco tempo uma bela carreira acadêmica. Este livro foi sua tese de doutorado, defendida na Unicamp em 2007, após período de pesquisa na Alemanha, sob orientação de dois importantes intelectuais nos dois países.

O livro é dedicado ao próprio Habermas, o que se justifica pela imperdível efeméride: em 2012, ano da publicação do livro aqui resenhado, completa 50 anos a tese de Habermas que foi o objeto de estudo de Lubenow: Mudança estrutural da esfera pública.

É um jovem filósofo brasileiro a retomar, de maneira cuidadosa e segura, a obra seminal daquele alemão, que cuidou de reconstruir a história (e um pouco da sociologia) da formação e da decadência da esfera pública (burguesa). Habermas tinha 32 anos quando defendeu em Marburg uma tese antes recusada em Frankfurt.

Lubenow acerta quando vê naquela tese de 1961 o núcleo insuperável de toda a obra teórica de Habermas; do tema esfera pública não iria se livrar mais. Em grande parte, desenvolveu outros quadros categoriais para sustentar essa ponte bem amarrada, cujo destino e apoio está na margem chamada “Direito e democracia”, conforme traduçao brasileira da obra mais substancial de Habermas, lançada ao aposentar-se. (...segue)

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Endereço para adquirir esse livro:
Gráfica e Editora Manufatura
Rua Adalgisa Luna Meneses
Bancários
João Pessoa PB
fone (83)88270209

 




CARVALHO, Helder Buenos Aires e CARVALHO, Maria C. M. de (orgs) Temas de ética e epistemologia. Teresina, EDUFPI, 2011



Pretendo escrever uma resenha deste livro também, talvez para publicar na revista eletrônica Poros, da Católica de Uberlândia. Não é fácil fazer resenha de coletânea, embora eu já tenha publicado algumas. Por coincidência, resenhei duas coletâneas organizadas por Maria Cecília M. de Carvalho (uma sobre Filosofia analítica no Brasil e outra sobre “novos paradigmas”) e... já realizei com o Prof. Helder Buenos Aires um feito raro na filosofia: um texto escrito em parceria, nós dois, sobre comunidade em McIntyre e em Thomas Kuhn.

O prefácio que apresenta a coletânea e fala da difícil tarefa de fazer filosofia no Brasil – o que se agrava no Piauí – lembra meu discursinho, há um mês, para agradecer o convite para aquela banca de mestrado. Eu disse então que já não precisava mais de pontuação para “progredir na carreira” do magistério superior, logo após bater a cabeça no teto, Professor Associado IV. Então, afirmei eu, por ser verdade e dar fé, que estava ali sob o sol de 41 graus e o mormaço na sombra, estava ali por amor à filosofia – e me desculpo pela redundância, pois na etimologia estrita isso daria “amor ao amor pela sabedoria”. E sabido era o então candidato ao título de mestre, pois Joedson já é professor concursado de um IFET, no interior do Piauí. Ele, nós e tantos outros na militância, por uma cultura filosófica - em lugares diversos e eventualmente adversos, lá e cá.

E eu disse que estava ali, para argüir o candidato e discutir filosofia com os colegas Lubenow e Helder, por amor à causa e por saber que os programas novos precisam se ajudar, também numa configuração transversal que una Uberlândia e Teresina – passando um pouco por cima da Bahia, com suas lavouras de soja a oeste. 

Os temas estão reunidos em duas partes, cada qual com seis artigos. Na primeira, sobre “ética e filosofia política”, temos artigos sobre o liberalismo de Rorty, a moral discursiva em Habermas, o cuidado de si, liberdade e negatividade em Sartre e Merleau-Ponty, estatuto moral e animais não-humanos, a justiça como virtude social em Platão.

A segunda parte, “Epistemologia e Filosofia da Linguagem”, traz contribuições sobre confiabilismo e metaincoerência (!), epistemologia social (pode ela ser aletista?), determinismo em Popper, um programa de investigação em Wittgenstein, Wittgenstein sobre a certeza, a verdade na arte (Gadamer).

Em uma versão mais extensa, que esperamos anunciar em breve, citaremos os autores, que incluem a “prata da casa” e ilustres visitantes e colaboradores. (Nesse caso, estou fora e nem sei, por enquanto, o que seja "aletista"... Já essa "metaincoerência" parece simpática e, quem sabe, contagiosa...Vamos ver.)

Incluo aqui o endereço da Editora da Universidade Federal do Piauí:

EDUFPI

Campus Ministro Petronio Portela

64049 – 550 Teresina PI

Fones (86) 3215 5688



sexta-feira, 12 de outubro de 2012

QUEM ANDA LENDO MINHA TESE SOBRE CRISE?


TROQUE SEIS POR UMA DÚZIA: COMPRE E LEIA MEU LIVRO SOBRE CRISE

Este blog foi retomado no primeiro semestre de 2012 por uma razão pertinente: a leitura de minha tese de doutorado no programa de pós-graduação em filosofia, da Universidade Federal de Uberlândia. Pareceu-nos esta uma boa oportunidade para retomar em consideração o tema crise e aquela tentativa de dar-lhe um tratamento filosófico e capaz de alguma atualização. A tese fora defendida em 2000, na UFMG, e publicada quatro anos depois, pela editora da PUCRS.

Depois do fim do semestre letivo, gostaríamos ainda de publicar algumas notas sobre a referida obra, mesmo que os alunos matriculados naquela disciplina não se sintam mais interessados na continuidade de uma conversa que, de fato, vai durar mais que os compromissos acadêmicos.

Basicamente, de acordo com o que notei durante a exposição e o eventual debate do livro, parece-nos oportuno fornecer referências de algumas obras publicadas depois do ano 2000 – ou desconhecidas por nós – que nos dão razão, bem como gostaríamos de qualificar e justificar as críticas feitas na obra às idéias de Habermas.

Habermas levou trinta anos para escrever um novo prefácio para sua tese, sobre esfera pública (1962) – e já estava na 17ª edição. Ao contrário dele, vamos nos antecipar – mesmo sem havermos esgotado nossa primeira edição. Além de outras diferenças incomensuráveis e sem querer correr parelha com nosso “objeto” de estudo, verdade é que podemos tirar proveito desse novo tipo de jornalismo, o blog.

Nesta data, exatos 12 anos após a tumultuada defesa da tese em Belo Horizonte, tomamos a liberdade de reproduzir aqui um elogio a nosso livro sobre teorias da crise, que vale por mil orelhas laudatórias que poderiam ter sido encomendadas por uma editora comercial. Não foi o caso; trata-se de uma espontânea avaliação de um querido e reconhecido filósofo brasileiro, que perfaz cada vez mais também o caminho sereno de um guru, acima das disputas acadêmicas e dos interesses editoriais.

Creio que o Professor Oswaldo Giacóia Jr. não se importaria de ver reproduzida aqui, neste blog, sua opinião sobre minha tese, da qual foi um ilustre argüidor. Em maio deste ano, durante um evento de filosofia da religião, organizado por um grupo de estudos da UnB, encontrei-me com ele, antes de sua conferência. Pedi licença ao grupo que se formara em torno dele, para cumprimentá-lo e, na verdade, cuidei de me apresentar, pois minha aparência poderia enganá-lo depois de doze anos e porque sei que muita gente o cerca com convites para novas bancas e conferências em todas suas aparições, sobretudo fora da Unicamp.

Logo atualizamos nossos respectivos arquivos de imagens e até nos lembramos um pouco depois de nosso encontro na Alemanha, em 1993, quando visitamos juntos, com as famílias, o Museu do Sal, em Lüneburg – onde também estivemos reunidos para um jantar na casa de C. Türcke.


Nossa conversa poderia ter sido mais breve ou desandar em banalidades turísticas, mas, de imediato, Giacóia dirigiu-se aos filósofos que o circundavam – inclusive meu prezado “sósia” e compadre José Crisóstomo – e perguntou-lhes se eles conheciam minha tese. Eu acrescentei que ela havia sido publicada. Ele informou, então, que estava lendo minha tese em um curso seu na Unicamp; havia adotado minha tese em sua bibliografia e voltara a ver nela importantes contribuições.

Eu, de bobeira e um pouco assustado com a inesperada cena, quis derrubar minha própria criação, ao tentar lembrar antes as circunstâncias atrapalhadas de minha ida a BH, mas Giacoia cortou rente minha tentação para o anedótico e voltou a dizer que estava se referindo ao conteúdo de minha tese e a nada mais. E voltou a citar questões e posicionamentos epistemológicos, que não cabem aqui, neste blog.


Promoção: vamos esgotar a primeira edição.
(Nas boas livrarias e nos sebos da hora)

Foi hora, então, para que eu mesmo dissesse algo relevante e em apoio ao valiosíssimo elogio do ilustre mestre. E referendei algo sobre minha pretensão de realizar uma abordagem grandiloqüente e caleidoscópica para a crise e as teorias críticas da crise. E nisso Giacoia também se lembrou de uma questão sobre minha abordagem “sinfônica” e talvez dodecafônica, com o risco de desafinar. O resultado foi harmônico, garante Giacóia.

Enfim, caros leitores do blog, foi isso que aconteceu: o Prof. Oswaldo Giacóia contou a um grupo de filósofos mais jovens que estava lendo minha tese em sua sala de aula na Unicamp. Se me estendi além da média de um post, foi para circunstanciar um pouco mais essa notícia, que trago sem constrangimento e sem esnobismo e que engrandece meu livro, na mesma medida em que eu fora prestigiado pela argüição de Giacóia – ao lado dos outros três docentes, a quem sou igualmente e para sempre grato, bem como a meu dedicado orientador Rodrigo Duarte.


Z!

Esta notícia é valiosa, pelo prestígio que pode conferir ao livro, doze anos depois. E talvez não seja apenas uma coincidência que eu mesmo tenha arranjado na mesma época um público qualificado para reler minha tese, os alunos da pós-graduação em filosofia, na UFU. É hora de falar de crise, nessa afinação filosófica.

Ou seja, o livro não vai custar mais caro por causa disso, mas é aos doze anos que uma garrafa de Scotch merece o “black label”. E creio que a editora da PUCRS também gostaria de esgotar sua tiragem da primeira edição. O autor tem interesse em divulgar sua obra e isso implica em anunciar e vender o livro Crítica e teorias da crise. Teremos inúmeras “edições” da velha crise. E talvez uma nova edição de meu livro, sem resolver crise específica alguma, ajude a compreender principalmente isso: crise e progresso vão continuar sua peleja dialética neste mundo sublunar. Não tem jeito: weitergehen, tipo Juanito Caminador.

BLACK LABEL EDITION
coming soon


sexta-feira, 7 de setembro de 2012

AGÁ DE HABERMAS E DE HADDAD

HORÁRIO RESERVADO PARA A PROPAGANDA FILOSÓFICA GRATUITA


Antes que algum aluno ou colega me pergunte se eu vi na Folha, lá vai: sim, li a página inteira sobre a formação acadêmica de Haddad. Volta e meia ouvia que ele tinha estudado filosofia. Agora o resumo do histórico escolar de nosso recente ministro da Educação: Haddad graduou-se em direito, fez mestrado em economia e... doutorado em filosofia. Leva vantagem sobre muitos conhecidos da filosofia que gostariam de estudar economia. Habermas, inclusive - mas admitiu isso quando já era tarde. Eu jamais pensei em estudar economia. Ou quis isso tanto quanto queria ser arquiteto ou antropólogo. Pouco.

E aí revelou a Folha, publicada na capital onde Haddad quer ser prefeito, que durante o doutorado o aluno provocou celeuma na USP, ao criticar J. A. G., o conselheiro de FHC. Uma frase de efeito, sobre as boas perguntas e as péssimas respostas daquela pretensa estrela uspiana. Não vou entrar ainda no mérito dessas intrigas acadêmicas remotas, mas nem tanto.

Também significa pouco - exceto para o gênero jornalístico - que Haddad tenha criticado Habermas. Podemos atalhar o caminho, pois isso era de se esperar do orientador Paulo Arantes. Normal, para um hegeliano que não aceita a substituição da dialética pela reconstrução, que oscila entre conceitos binários. E para um marxista renitente, que ainda quer prestigiar a categoria trabalho.

Enfim, Haddad escreveu seu doutorado sob ponto de vista hegelo-marxista e, nisso, criticou Habermas. Ok. Não é motivo para não votar no homem. E criticou também o JAG. Aí, sim, mais um motivo para votar no homem.

No mais, se ele, paulista workaholic, quer valorizar o trabalho, então vamos votar no homem, para que ele trabalhe para melhorar uma cidade enorme e cheia de aposentados... Deixa o rapaz trabalhar!

Eu não voto em São Paulo, mas posso, de repente, contar com o saudável corporativismo do pequeno contingente de filósofos e também do minúsculo grupo de leitores de Habermas.

Na Alemanha, Habermas sempre esteve associado à Social-Democracia, mas... duvido muito que ele  votasse em Serra, que usa a sigla em SP.

Haddad prefeito, sim, mesmo sem a boa companhia de Erundina.

Este post não é apenas um apoio ao futuro prefeito Haddad. E nem é um mero exercício para desenferrujar este blog, meio travado por uma greve chata, como sempre são as brigas feias e desiguais.


terça-feira, 19 de junho de 2012

Rousseau, o Senhor das Armas?





Por razões ópticas e oftálmicas, este post teria que ser telegráfico.

Notas sobre algumas seções da XV Semana de Filosofia, na UFU, semana passada:

Uma tarde kantiana + uma tarde com Rousseau + uma boca de noite entre Platão e Vico.

Propus questões aos colegas da primeira, farei aqui (e na sala de aula) uma consideração sobre a releitura de Rousseau e comentei com o Prof. Rubens umas questões a serem desenvolvidas, sobretudo na encruzilhada de mito e normatividade, em Platão, com desdobramentos atuais. Prosa boa, iminente, antes que se evapore a Salinas.

Precisaria de mais tempo para situar minha pergunta aos kantianos, que retrocede da terceira crítica para a primeira, acatando sugestão já testada antes, com base em Deleuze e Körner (cf.). Do jeito que a intervenção foi percebida por parte da mesa, pareceu provocação. Voltaremos a isso, com tempo e dois olhos  e umas notas de caderno do tempo da tradução de Rohden e António Marques.
Oportuna representação da manhosa Razão como um todo,
pois não é só o gênio que coloca apenas as questões
que ele pode responder ( mas nunca revela seu segredinho).

A Prof.ª Helena Esser fez bem, sem sair de seu afinado registro, ao mencionar o exemplo negativo dos políticos e bicheiros da Unidade da Federação onde ela trabalha, GO. Na boa tradição hobbesiana, Rousseau também reconhecia que “a cidadania tem que ser trabalhada” para moldar “esse animal estúpido e limitado” – e atordoado entre papéis eventualmente conflitantes de cidadão & súdito.

Aqui vemos o último Habermas muito perto de Rousseau (e a léguas de Marx e Engels, que torciam pelo fim do Estado): “prolongar a vida do Estado no tempo que for possível”, teria dito Rousseau. E hoje investir naquilo que Habermas chama de Formação política da vontade – dentre as novas atribuições do Estado democrático de direito, discursivamente fundamentado.

O "Jardim dos Sonhos" é obra de outro Rousseau, o Henri (1844-1910),
mas está aqui por ser um achado "providencial".

Outro dia, o bicheiro Cachoeira, suspeito de diversas contravenções e crimes contra o patrimônio público, em rara declaração ilustrou sua confusão entre direitos e deveres, ao dizer que “a Constituição manda que ele fique calado”, ao lado da triste figura de seu advogado e ex-ministro da Justiça. Ora, no máximo a Constituição faculta-lhe o direito de não se pronunciar fora de hora, para não atrapalhar a tramitação. Na verdade, o bicheiro – esperto, aliás, no submundo das maracutaias – vive à margem do Estado ou queria manter aí  uma republiqueta fora da lei, onde tocava sua pequena guerra subterrânea.

De afogadilho, não caberia aqui uma receita popperiana, deveras simpática: a principal missão da política é proteger a sociedade e o Estado contra os políticos (limitar seus ataques, calibrar nosso prejuízo). Mas, muitas vezes, o minimalismo é providencial, ao tirar do bom resto um bom recomeço.


De Bom Selvagem a Senhor da Guerra?

Um Nicholas Cage feito de cartuchos,
no cartaz do filme "O Senhor das Armas"


Por fim, a guerra. Pergunto a todos e em especial ao Arcivaldo, que estuda Rousseau: Será que alguns editores querem fazer dele agora um ideólogo da guerra? A suspeita é maior quando ouço que uma tradutora norte-americana quis realinhar manuscritos recém-descobertos de Rousseau e por em destaque a noção de Direito à Guerra (ou Direito de Guerra). Caberia criticar a mania de certas “ciências do Espírito”, que sempre se arriscam em releituras, na onda da história que sempre precisaria ser reescrita. Se Adão e Eva tiveram três filhos (e não dois), teríamos que reescrever toda a Bíblia? A hermenêutica não se submete calada à exegese, segundo entendem alguns veteranos.


Certa vez, em uma conferência (de José N. Heck, talvez) ouvi e gostei dessa demarcação: as melhores teorias políticas são aquelas que partem do pressuposto de que o homem é mau. E havia três exemplos de peso para isso: Maquiavel, Hobbes e Carl Schmitt. Agora, depois dessa mesa-redonda, na bela Casa de Cultura, quinta-feira passada, cabe perguntar: será que Rousseau será a peça que faltava para compor a cavalgada apocalíptica?
 

sábado, 2 de junho de 2012

M. Teló nas paradas do Welfare State

M. Teló. Como diria o saudoso Paul Feyerabend, tudo vale - o que não tem nada a ver com tamanho de alma. 

Preferível dizer vale tudo, no sentido novelístico juramentado, num visse? 


Na Alemanha, esse sucesso global tinha outro nome:
"A QUALQUER PREÇO"


M. Teló. Para atrair leitores a um blog de filosofia numa sexta-feira à noite, apela-se ao golpe baixo da pegadinha. O título vem com esse "M. Teló" e isso só pode ser artifício. E é.


Vale tudo para ter audíência, menos morder orelha.




Se HP é uma impressora, antes disso, JH é uma máquina de fazer texto, um caso raro de sucesso - Habermas & Co. - uma holding, um dot.com, pois enquanto você vai com o milho de seu livrinho, ele já vem de volta com o fubá de seus dez volumes de kleine politische Schrift e mais uma ponta em uma Festschrift, pois hoje é sexta-feira - e vai rolar a Fest.

Só moendo, galera! UHU!
(This is the party next door - saturday night already.)




J. Habermas é um liquidificador de autores, triturando-os com sua "reconstrução" esperta. Ok, periferia! Mas diga aí, gente fina, quantos brasileiros ele citou? Dois ou três. O Mangabeira Unger, com aquela barba escrota e o sotaque de gringo. E o Emmanuel Carneiro Leão – a dupla de animais na mesma cadeira da ABL (golpe baixo do Estanislaw Ponte Preta dizer isso, gente.) E o terceiro? Bem, vamos aguardar um pouco, até que JH aprenda a ler português ou...

Pois só faltava essa agora: no livro Era das transições (Tempo Brasileiro, 2003), Habermas cita um certo M. Teló. Na verdade consta TELÓ, M.




Sucesso na Alemanha? Claro. Depois de Blumenau, daí...


Mas não vamos manter o suspense. Não, pois é sacanagem e vai contra a boa tradição acadêmica. Ninguém aqui quer piorar a imagem desses filósofos que mantém blogs. Deviam estar fazendo exegese de algum texto raro em língua morta! Com os olhos remelentos, na madrugada, acrescentaria Montaigne. (E aqui vai um alô para o sósia Crisóstomo: aquele abraço, à moda de Gil...)






Pois é isso: Habermas cita um certo Mário Teló, que pode, sim, ser o tio do cantor - ou o nonno - da versão pegajosa de Garota de Ipanema - mais para downgrade que para upload.




Teló não cogita traduzir para o alemão o hit do carnaval axé-sertanejo universitário 2012
(de terno, ficou meio parecido com David Bowie - grande artista caído do céu)


O capítulo em que aparece o Teló tem por título a ainda atualíssima questão "Será que a Europa necessita de uma constituição?"


- Sim! (Ops... Era pra responder, professor? )






E, a bem da verdade, o Mário - qual Mário? - Teló formou dupla com Paul Mignette para escrever "Justice and solidarity", no ano 2000. São da Universidade de Bruxelas, onde o bicho pega nessa coisa toda de Europa e Eurozona, para que o continente não vire um cabaré de calango. (Mas cuidado com os direitos autorais: "Pega fogo, cabaré" é um hit de João Neto e Frederico, outra dupla, dentre cem mil.)


Pura especulação do mercado fonográfico:
juntar duas meias duplas e formar essa tal de "Mário e Paul"

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E chega de figurinha daqui em diante,
pois quem sacou a pegadinha, já parou de ler este post.
E parabéns aos curiosos, que seguem lendo.

 
Esse texto referido e anunciado ficará esperando umas duas semanas, mas antes, no Mestrado, acabamos de ler umas outras páginas de Habermas – sim ele de novo! – que foram originalmente uma conferência proferida no Parlamento Espanhol em 1983.



Um aluno do mestrado cometeu um feliz ato falho. Disse que tinha gostado daquele texto mais do que dos textos de Habermas, em geral. Well, retruquei com jeito, esse texto, lido em español, é de Habermas também. Lido com isso: o gaio engano, nada ledo. E talvez a explicação hermenêutica seja que, traduzido para o espanhol, Habermas soe melhor. Fica com mais jogo de cintura, para falar de novidades alvissareiras na sociedade e não só maraños ideológicos e interpretativos. Conferência é bom, pois não tem nota de rodapé. E não vale falar de banda, para os caras da mesa, tipo resmungando algo. Say it loud and clear.

O texto da conferência, em español, é o mais bonito já associado à labiríntica e cornucópica produção fono e gráfica de Habermas: “Sobre la pérdida de confianza en si misma de la razón ocidental”. Demais isso, inclusive essa inversão de nossos vizinhos de idioma, tipo democrácia y mercancía: pérdida. A vingança das proparoxítonas, muss man sagen.  

Mas o que aconteceu depois? Parece que a equipe de secretárias, copydesks e ghostwriters da editora Suhrkamp resolveram cortar as asinhas do entusiasmo socialista de Habermas (“...mas eu estava de férias, gente!” / Aber, nein!). E aí, a conferência, quando publicada, dois anos depois, veio com esse título, mais chocho: “A crise do Estado de bem-estar social e o esgotamento das energias utópicas”, na seção V – La nova impenetrabilidade (ou intransparência).



O tema de nossa disciplina no mestrado em filosofia é, agora, este: o welfare State. Depois de uma baita aula expositiva, sobre o Estado constitucional, que ruma para o Estado democrático de direito... discursivo, pauleira.



Os alunos ficam meio atônitos, quando o professor leva no dia da aula um jornal da véspera que trata disso: o Estado de bem-estar social. Assunto quente.



E, dois dias depois, um dos alunos repassa ao grupo um email com este outro artigo, sobre cortes. Pois é disso que se trata: os países capitalistas ocidentais andavam fazendo gracinhas com a massa – deram até uma bolsinha para os filhos de estrangeiros, pesquisadores visitantes lá na Zoropa – e depois começaram a cortar, a atrasar aposentadorias. Perdas de direitos, essas coisas.

Não se trata, na verdade, de adivinhar ou de mera coincidência; é que quando fazemos a crítica correta, na hora certa – em cima do lance – e com as ferramentas teóricas certas, dá nisso: convergência. Estamos juntos nisso, babe!



"E não me venham com superstições.
Fui claro, doçura?"

(Ai, se The Mechanic te pega!)



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Confiram mais este texto sobre Estado Previdenciário em crise. Deu na Folha:

http://www.vermelho.org.br/rn/noticia.php?id_secao=2&id_noticia=184862

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Entre o partidão e a imprensa nanica

Partidos, esquerda & direita, imprensa nanica

Seta em um muro do Bairro São Jorge, Uberlândia, duplicada e invertida. By myself.




Como chegamos, nesta disciplina de Mestrado, aos temas “partido político” e a velha celeuma “esquerda/direita”?

O segundo capítulo do livro lido pela turma e apresentado em sala de aula, Crítica e teorias da crise (Edipucrs, 2004), tratou dos eventos de crise econômica da segunda metade do século XIX e das descrições e tentativas de interpretação das “crises” pelos teóricos & militantes Marx & Engels.

Para que os alunos e alunas se familiarizassem mais com o texto desses autores, foi sugerida a leitura de uma obra assinada pela dupla, o Manifesto do Partido Comunista (1848).

No estudo dirigido que se seguiu, coube uma pergunta sobre a coligação partidária e os critérios que os comunistas deveriam adotar, à época da publicação da obra, que parecia favorável à ação revolucionária - sem excluir a via eleitoral, portanto. Assim como os autores classificaram as diversas concepções “literárias” de socialismo, puderam dizer aos militantes a quem se dirigia o manifesto: este partido sim, aquele não, este nos convém, aquele não ajuda...

Dada a atualidade do tema coligação, por causa do atual governo Lula/Dilma, que não governa só com o PT, e também porque alguns alunos e alunas se mostraram um pouco desinformados quanto ao assunto, fizemos um painel informal e improvisado sobre partidos políticos.

Improvisado, porque partimos de nossa própria experiência de eleitores e militantes, desde o golpe militar em 1964, que implantou o bi-patidarismo (Arena e MDB) e reduziu o espaço da política e do voto. Arena era o partido dos militares e seus apoiadores: a situação. MDB reunia os democratas, com estreita margem de atuação e sob constante censura. A sigla Arena e seus caciques e votantes foram mudando, depois, para siglas como PDS > PFL> DEM. O outro lado, com a reabertura política e o fim o regime militar, tornou-se PMDB e de lá sairiam depois o PP e o PSDB. No calor das greves de 1978 e da luta pela redemocratização do país, surgiu o Partido dos Trabalhadores, que reuniu tendências diversas, inclusive grupos mais revolucionários, como os trotskistas, que tiveram que aceitar o perfil de partido de massa (e não de vanguarda). Mas o trabalhismo já existia, bem como partidos de esquerda, de longa data. O PTB, com origem em Getúlio Vargas, deu origem ao PDT – muito ligado a Brizola. O PCB, fundado em 1922, daria origem às siglas PCdoB e PPS. E é bom lembrar que o PSB e o PSTU também levam um S de socialismo. O PV, mais recente, tem também uma direção ideológica nova. Depois que Lula foi eleito, por desavenças sobretudo em torno da reforma da previdência, uns 4 ou 5 parlamentares deixaram o PT, para criar o PSOL, com S de socialismo e L de liberdade, e que reunia, já na fundação onze tendências diferentes. E, é claro, que há mais duas dezenas d partidos com siglas que não indicam muito claramente uma diferença de ideologia ou de programa – e há diversos com C de cristão e R de republicano. Na verdade, muitas siglas pequenas nesse quadrante servirão para manobras eleitoreiras – currais eleitorais e cessão de horário na TV. Sem ofensa e com a ressalva de que pode haver partido pequeno & honesto (e que o PT foi pequeno), mas na maioria são "siglas de aluguel" ou até mesmo negam a política, na qual se metem - como foi o caso do Prona de Enéasss... e do PRN, de Collor.

Informal, porque o painel não buscava, como se poderia esperar, uma rubrica acadêmica específica. Os partidos são hoje – sem desconsiderar o lastro histórico – um tema sobretudo da sociologia e do direito, por conta da análise do perfil do eleitorado (muito marcado pelas pesquisas de intenção de voto) e das questões legais relativas a prazos, filiação, coligação, distritos, fidelidade, etc.

Não pretendíamos buscar uma “visão filosófica” do partido – se é que existe – pois não se trata tanto de garimpar declarações de Hume ou Rousseau ou de recuar mais ainda. Todavia, a tematização da democracia, com base na livre discussão e em algum tipo de representatividade, sempre envolveu partidos (ou castas, facções, estamentos, classes) e algum tipo de deliberação com pretensões de legitimidade – ao contrário da facilidade imposta por ditadores, déspotas e redatores de atos institucionais que implantem estados de exceção (Brasil, 1968: vai pela Av. Rondon Pacheco, vira à direita, etc. "Chegando no destino"...)

 
Por falar em “vira á direita”, recorde-se: entramos um pouco no assunto direita & esquerda, pois os partidos de situação e oposição podem ser também assim classificados. E cabem eventualmente os rótulos de progressista/conservador (no auge: .../reacionário), reformista/revolucionário, majoritário/minoritário, etc. Tese apresentada pelo professor: pode apostar que geralmente é de direita a prosa de que não existe mais sentido na distinção direita/esquerda. E há frases de efeito como “o poder endireita a esquerda”, devido ao pragmatismo imposto pelo exercício do mandato, qualquer que seja, etc. Ou seja, ainda faz sentido ver as diferenças, sobretudo se é você pende para a esquerda. Nivelar é uma tática dos extremistas, em ambas direções. Sempre alerta contra aquele bordão de que Lula se igualou a FHC. Não procedia - e não prosperou o tucanato.

Exemplo: em 2004, antes das eleições para a prefeitura de Uberlândia, os 6 candidatos foram semanalmente sabatinados pelo jornal local, o Correio. Sobre o tema “Segurança pública”, os candidatos se dividiram meio a meio: 3 falaram sobretudo que iam instalar equipamentos de vigilância, contratar mais policiais, comprar mais armas e camburões. Os outros 3 tocaram também na necessidade de identificar causas sociais da criminalidade e de promover políticas de inclusão social e a cultura da paz e da vizinhança. O primeiro grupo tem perfil conservador; o segundo ainda assume valores de esquerda.

Exemplo desta semana (22/5/ 2012), também em matéria publicada no Correio. Tema: acessibilidade geral, passeios públicos intransitáveis e obstruídos. Caso de ambulância: uma mulher tropeça em defeito no piso de uma calçada, cai e quebra o fêmur. Comentário do Secretário de Planejamento urbano, Rubens Kazuchi Yoshimoto: “Não é possível pedir para que parte da cidade destrua suas calçadas e as refaçam. O cidadão já tem o direito adquirido se construiu daquela forma antes de 2010”.



Que estranho! Essa categoria amorfa de cidadão fica ainda mais deturpada nesta administração conservadora, pois... (eis a análise do discurso e da prática da oligarquia ruralista) o cidadão é o proprietário. A senhora que caiu e ficou na cadeira de rodas – e podia ser um jovem, um atleta – não é cidadã? E, por acaso, o dono da casa tem o “direito adquirido” de derrubar pessoas? Tanto faz, pois o ponto de vista do poder é o da propriedade particular...



E por falar em jornal de papel, fizemos também uma pequena exposição de publicações da imprensa atual que não se alinham e nem se submetem por completo à lógica do capital, como ocorre com a grande imprensa, hoje também chamada de PIG... Veja bem, além dos três grandes jornais, Folha de SP, Estado de SP e Globo (RJ) – que também dominam nas comunicações de TV, rádio e net; com a Band a distribuir um jornal de papel grátis nas esquinas – o que podemos ler? Resposta rápida, com títulos que podemos comprar na banca do campus:



Brasil de fato – jornal semanal ilustrado, 16 páginas, 3 reais, em seu décimo ano, inicialmente ligado ao movimento do Forum Social. Exemplo de matérias, na edição 472 (15 a 21 de março de 2012): Código florestal, nas mãos de Dilma; Gaza: sobram mísseis e faltam água e luz; Modelo de repressão urbana chega a Curitiba; entrevista com Iná Camargo: “Intelectuais têm pavor de revolução”.


Caros amigos – no 15 ano, publicação mensal, 46 páginas, $10,90 – matérias na capa do nº 181: Desigualdade urbana: políticas públicas geram desigualdade na maior cidade do país; Impactos da copa – FIFA fatura alto, quem paga é o povo; Torturador pode elucidar Operação Condor; Mulheres presas pedem direito de amamentação; Entrevistas – Edi Rock, “A gente faz é música negra” e Mike Davis: “Em defesa do espaço público”. A publicação, meio jornal e meio revista, traz ultimamente o subtítulo “a primeira à esquerda” e isso lhe cai muito bem.

A Nova Democracia, ano 10, mensal, 20 páginas, 2 reais, com o aviso junto ao título “Este jornal nao é órgão de nenhum partido” e uma convocação: “apóie a imprensa popular e democrática”. Exemplo de matérias, na capa da edição nº 87, março de 2012: “Burgueses e reacionários, tremei!” [com uma lista de greves e manifestações, na India, na Europa, no Brasil], Da Guerrilha do Araguaia á capitulação de Amazonas (cap. VIII da história do PCB), Incra é “desmobilizador da luta pela terra”, USP: reitoria reedita regime militar, Imperialismo tenciona repetir a Líbia na Síria, etc.

REVOLUÇÃO QUE SE ALASTRA


Acrescento um jornal alemão, que nos chega em permuta na revista Educação e Filosofia. O nome Grasswurzel Revolution talvez seja traduzido hoje como “revolução rizomática”, mas a idéia é “revolução que se espalha e se firma que nem raiz de grama”... Está no ano 40, é mensal e custa 3 euros. Temas na capa do nº 367, de março de 2012: O Irã e o perigo de uma nova guerra, Um ano de Fukushima – para onde vai a escalada da energia atômica?, Novidade no comércio: a eutanásia, Estado ou revolução, Slavoj Zizek, um cara da esquerda... e a revolução. [O jornal anarquista promove manifestações e campanhas contra o racismo e anati-sexistas - aqui uma mulher critica as pretensões de esquerda de um Zizek que cometeu um deslize machista... É o maluco na chapa quente! ]

Campanha bacana essa, com adesivo na bike:
"ENERGIA ATÔMICA? NÃO, OBRIGADO!"


Por fim, ainda vamos levar a sala de aula duas revistas acadêmicas, mais pesadas, que cobrem esse campo, puxando para o enquadramento teórico mais estrito e alinhado: as revistas Crítica Marxista e Margem Esquerda.

Margem Esquerda, nº 17:
Capitalismo no beco escuro


Margem Esquerda, nº 17, o mais recente, trata disso: O capitalismo atingiu um beco sem saída? A perspectiva de uma crise econômica crônica, o colapso do Estado de bem-estar social nas economias avançadas e a catástrofe ecológica abalaram as bases dos argumentos em favor do capitalismo. Nesse contexto e tendo em vista os desafios do século 21, repensar o socialismo é um projeto viável? (...) ver no site da editora Boitempo.

A embalagem da tal "água negra"
continua chamando para a reflexão sobre
o imperialismo - e notem que há um artigo de
crítica a Habermas... meio atrasada, digamos.


Crítica Marxista, revista semestral publicada pelo Cemarx (Centro de Estudos Marxistas), da Unicamp, está no nº 31.


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Este blog presta aqui uma homenagem a dois partidos de esquerda:
o PSOL, na figura de Ivan Valente, fez no parlamento a crítica mais radical
à exploração capitalista dos recursos naturais, que se reflete na versão Piau
do Código Florestal, hoje nas mãos da Presidenta Dilma, que pode vetá-lo;
e o PSTU, que em seu programa da semana passada,
na TV, alertou sobre direitos de trabalhadores em barragens, no Norte, e de sem-teto,
no Sul, e também reservou os últimos 3 segundos para a bandeira "VETA TUDO DILMA".

 

terça-feira, 8 de maio de 2012

A VELHA EUROPA ASSOMBRADA


Espectro ou fantasma, conforme a tradução de "Gespenst"



Os alunos desta disciplina de mestrado, no programa de Pós-graduação em Filosofia, tiveram a chance de ganhar uma presença no diário, na quinta-feira de Páscoa. A tal "educação bancária" funciona assim: quem fez um trabalhinho em casa ganhou o pontinho da presença. Só. Quem não fez a tarefa foi dado como ausente. Motivação: o professor "bancário" aqui quis incentivar a leitura de uma obra inteira de Marx e Engels, à época em que era lido o capítulo referente à dupla, no livro Crítica e teorias da crise (Edipucrs, 2004).




Três blocos de perguntas serviram para orientar o "estudo dirigido". Aqui estão as perguntas:



A)As 10 medidas (que aparecem por volta da pagina 16), como por exemplo: educação pública para todos. A pergunta: confiram os pontos do Manifesto e respondam quais deles o Brasil já atingiu, na intera ou parcialmente? E como pode isso: medidas socialistas dentro de um país capitalista? O que aconteceu nesses 160 anos?



B) Parte 3 – Literatura socialista e comunista: resumam as características distintivas desses tipos, tendo em mente que todos os demais estão aquém do “socialismo científico” de Marx e Engels.





Primeira estrofe do Manifesto cordelizado pelo Braga.

(Não visse, oxente?)

C) Parte final – a partir daí e com base na atual composição político-partidária no Brasil, exponha sua opinião sobre as coligações partidárias e... diga, francamente: o Manifesto é tão perigoso como pode parecer a muita gente que nunca o leu?






Exemplar de bolso da camisa, da Editora Reclam.

Cheio de prefácios e um posfácio de Iring Fetscher,

que tem livro sobre Marx e os marxismos.

Edição com texto original em alemão.



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Quem quiser ler o Manifesto de graça, é só procurá-lo na internet, via google, por exemplo.

Há versão em quadrinhos, também.

E até já vimos um filminho no Youtube, mas ficou muito corrido:

todo feito com cenas de desenho animado... E isso ficou legal,

para mostrar a linha de montagem, o trabalhador estropiado e

a truculência de chefes e capitães de indústria.










TRABALHADORES DO MUNDO, UNI-VOS!


 
A frase final do Manifesto aparece na bandeira amarela do

Partido Marxista-Leninista Alemão

 
(foto feita pelo prof. Bento I Borges em Mumbai, India, 2004 - Forum Social Mundial)