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quarta-feira, 28 de março de 2012

VENDO FIADO: Uma aula com urdume e tapume




 
Complementos sobre algodão e crise
(150 anos depois que Marx... puxou o fio da meada)






O livro Crítica e teoria das crises (Edipucrs, 2004) está sendo lido em uma disciplina do programa de mestrado em filosofia, na UFU, Uberlândia, MG. Uma rara oportunidade de ver o livro comentado pelo autor, que é também o professor. Um segundo grupo começou a apresentar o capítulo II, “As crises cíclicas do modo de produção capitalista”. São quase 90 páginas com muito de Marx e de Engels. Nossa intenção era evitar comentários sobre o momento atual, para evitar a dispersão e a transposição afobada. Mas, que nada. Livro é diferente de aula. E temos que encarar exemplos de nossa própria experiência de trabalhadores e de consumidores. Com isso, em vez de nos perdermos na prosa, vemos que a conversa sobre nosso momento de capitalismo tardio serve, de fato, para nos mostrar a permanência de inúmeros temas e a resistência do quadro teórico do velho Marx e de seu bom amigo Engels, bem como das causas pelas quais lutavam também no campo político.

Após a exposição da primeira metade do capítulo, o professor falou muito rapidamente sobre alguns livros e lugares pertinentes ao tema crise – inclusive o subtema da crise na indústria têxtil. Aqui vão as referências e algumas notas que deixam mais clara a conexão desse material complementar. Tentaremos seguir a mesma ordem da apresentação em sala de aula, ontem, 21 de março de 2012.

O gancho inicial foi este: já que Marx não se ocupava muito da periferia do capitalismo, na segunda metade do século XIX, cabe conferir o que acontecia, por exemplo, na América do Sul.
Uma vez, no Pasquim,  entrevistaram o Galeano e o título veio à moda da casa: as pernas...
1. As veias abertas da América Latina, livro escrito pelo uruguaio Eduardo Galeano em fins de 1970, foi um sucesso, com inúmeras edições. Referência da esquerda anti-imperialista e pedra no sapato dos entreguistas dessas repúblicas sulamericanas submetidas a ditaduras diversas. A segunda parte tem por título “O desenvolvimento é uma viagem com mais náufragos que navegantes” e conta como as grandes potências destruíram a indústria que começava a se instalar nas Américas, no século XIX. Aí, a Inglaterra veio e arrasou com tudo, para criar seu próprio mercado.

No início do século XIX, Alexander Von Humboldt calculou o valor da produção manufatureira do México em tantos milhões de pesos “dos quais a maior parte correspondia a trabalhos têxteis” (p.191)

No Peru, os toscos produtos da colônia, embora nao mantivessem a qualidade da arte inca, tinha grande importância econômica.

No Chile, fiação, teares, curtumes, alambiques, jóias, etc.

No Brasil, “as oficinas têxteis e metalúrgicas , que vinham ensaiando (...) seus modestos primeiros passos foram arrasadas pelas importações estrangeiras”. (p. 192) A família real fugiu de Napoleão e veio para o Brasil, escoltada por navios ingleses. Em Portugal, a França começa a perder a guerra e o Brasil fica refém da Inglaterra...



A Bolívia era o centro têxtil mais importante do vice-reinado rio-platense: lenços, panos, toalhas, mantas, ponchos, baetas – finíssimos tecidos de linho e de algodão, chapéus de palha, vicunha, charutos de folha... Essas atividades foram logo aniquiladas.



Na Argentina, além de têxteis, produziam arreios, laços, chicotes, vinhos, etc. Aí... veio a espionagem industrial dos ingleses e sua concorrência desleal: “Os agentes comerciais de Manchester, Glasgow e Liverpool percorreram a Argentina e copiaram os modelos de ponchos (...) e artigos de couro (...) e estribos de pau para se conformarem ‘ao uso do país’, etc.” Em pouco tempo, a indústria argentina faliu e a guerra civil entre as províncias e a capital resultou nesse acordo: os fazendeiros exportavam carne e couro para a Europa e compravam de lá tudo que fosse manufaturado. A Argentina recebia da Inglaterra até as pedras das calçadas... (p. 194)



E no Brasil? Também. “A Grã-Bretanha fornece ao Brasil seus barcos a vapor e a vela, faz o calçamento e endireita as ruas, ilumina com gás as cidades, constrói as vias férreas, explora as minas, é seu banqueiro, levanta as linhas telegráficas, transporta o correio, etc.” (p.194)



2. O Visconde de Mauá, considerado o patrono dos empresários brasileiros era de fato muito corajoso e vivia de falência em falência, mas sempre metido em grandes negócios de ferrovias e mineração. Por fim, escreveu e publicou, para dar satisfação a credores, sócios e acionistas, um livro que hoje pode ser comprado por dois reais: Exposição aos credores e ao público (1878). Isso se encaixa aqui, pois quase todos os negócios dependiam do capital inglês ou levavam um golpe de um sócio (inglês). Pois os ingleses, de longa data, tanto inventaram o seguro para navios contra piratas e acidentes (vide Lloyds Bank...), mas eles mesmos forneciam os piratas para o Caribe e grande parte do mundo.

A Guerra contra o Paraguai foi uma sacanagem - lamentável até hoje.



3. De volta ao livro do Galeano, pois ali vemos defendida a famosa tese de que a Inglaterra armou uma guerra contra o promissor Paraguai e para isso jogou os vizinhos Brasil, Argentina e Uruguai contra esse país sem mar. A população masculina do Paraguai foi quase totalmente dizimada, quase um genocídio. E até hoje a população paraguaia é pequena e sua economia é fraca. O Brasil fez o papel de capataz, de pequena potência regional que assume a tarefa suja do imperialismo inglês. Estamos exagerando? Pode ser. O Exército brasileiro e a história oficial tem outra visão da Guerra do Paraguai, pois vão dizer que Solano Lopez invadiu o Mato Grosso, etc. Um pouco antes, os nossos bandeirantes haviam passado por cima do tratado de Tordesilhas, não é? E o Acre? Como foi que se tornou um território brasileiro. Well, para quem acha que Galeano usa de muita fantasia e poucas fontes “científicas” – o que não é o caso – vale ver uma obra deliberadamente mista de ficção e história, o filme Burn (Queimada), com Marlon Brando. A Inglaterra arma o povo pobre de um colônia e estimula a guerrilha, por meio de um agitador profissional. Depois, o mesmo mercenário chefia as tropas inglesas, que massacram o movimento de libertação dos cortadores da cana. Filme de Pontecorvo (1969), em país fictício... mas o enredo é apenas uma média da história da opressão imperialista. Sim, señores e señoras.
"Livro bom tá aí: um dos dez que eu não jogaria fora de meu balão caindo sobre o lago Chade." (BIB)
4. A sangria, desatada pela exploração das Américas, começou antes. Quem quiser ler uma excelente reflexão (e muito original, pelo ponto de vista do autor Todorov, que é um estudioso de literatura e semiótica) encare A conquista da América: a questão do outro. (Martins Fontes, 1988 – original: 1982) Um rio de sangue promovido pelos espanhóis, três séculos antes do capitalismo – que nos jogou nessa crise. E é importante falarmos de guerra e sangue, e não só de suor e salários baixos, pois Marx já ironizava com aspas a pregação fajuta dos economistas burgueses (liberais): os “preços” não regulam nada! O mercado (sozinho) não regula nada! Os capitalistas sempre contam com a polícia, os exércitos, os juízes, enfim, como dizia Althusser, todos os aparelhos ideológicos e repressivos do Estado.

Algodão e voto de cabresto


5. Ainda para atualizar a conversa: o que acontecia aqui, nos “apêndices bárbaros” enquanto O capital era escrito? Expressão infeliz de Marx, mas... deixa pra lá. Ora, nosso colega Prof. Dr. Cícero J. A. S. Neto estudou o fenômeno do coronelismo no nordeste do Brasil. Sua tese de sociologia eleitoral mostra como se davam as relações de poder, no sertão do Seridó, inclusive ou sobretudo em volta do plantio de algodão. Antes, o pé de algodão, o algodoeiro, era do tipo arbóreo e durava uns oito anos ou mais. Hoje, o ciclo das plantas geneticamente modificadas é de 140 dias, por exemplo. Lancei um dia essa hipótese, para debater com Cícero: a duração das crises cíclicas, à época de Marx, tinham conexão com o ciclo da planta, a parte “botânica”, agrícola, da matéria-prima, cujo preço era a explicação para a variação do lucro e para a crise mesma. Ainda em aberto esse debate. Mas, verdade é que hoje o capitalismo leve (como o caracteriza Bauman) exige plantas de curta duração, além de matérias sintéticas para nossas roupas. Com isso, as fábricas tem mais mobilidade – podem transferir os cultivos para outros lugares, por causa de clima, mao de obra, demanda, etc. E também podem levar as fábricas de carro e tecelagem para outros países, rapidinho...


No tempo da manivela e das longas jornadas de trabalho.

6. E como anda a indústria têxtil? Em Americana, São Paulo, há desemprego. Em Araraquara, um marca conhecida de meias e cuecas vai bem, está contratando e aumentando a produção. Em alguns casos, dizem que os chineses estão nos levando a fechar fábricas. Em outros casos, parece que ainda temos a melhor tecnologia. Pode ser, mas... além disso, algumas empresas apelam para outras saídas. Uma conhecida loja de roupas, tradicional no Brasil, foi recentemente denunciada por trabalho escravo (ou em condições similares às de...). Costureiras bolivianas sem documentos, escondidas em galpões da capital paulista e submetidas a jornadas de quinze horas por dia, ou seja, igualzinho o que Marx relatava em 1800 e tantos. Outra saída, como fez a Hering, é produzir roupa na China. Algumas camisetas e bermudas são feitas lá, com a qualidade daqui e o preço da mão de obra de lá.



7. Por fim e para não parecer que só gostamos de miséria. Não, o Joãosinho Trinta estava enganado: também gostamos de ver uma empresa de 130 anos, que inova e sobrevive e conta sua história com graça e orgulho, pois é também a história do trabalho. (Como disse em sala de aula, apreciei ler um livrão bem feito que conta a história do Unibanco e outro bem ilustrado, in english, sobre a saga dos tratores Catterpillar). Pois, então: o museu da Hering merece uma visita – ao vivo ou virtual. Além das cervejas boas, do Museu da Cerveja na terra da Oktoberfest, de um cemitério de gatos, etc., Blumenau tem esse belo Museu. Lá, o visitante pode ter a experiência de girar a manivela de um tear francês de 120 anos e... produzir malha, com algodão cru. No final, pode-se levar um souvenir incrível: um pedaço do tecido. Que máquina perfeita, com 1450 agulhas, reguladinha e ainda funcionando! Quanto tempo vão durar nossos computadores e pendrives? Ou seja, a experiência – corporal mesmo, muscular – de girar um tear do tipo que Marx deve ter visto.


E por falar em tempo, o slogan da firma é "desde sempre"
(que vale para o esforço do trabalho e o risco da crise)

8. E hoje Marx talvez gostasse de ver as novas máquinas, não muito diferentes daquele tear: um motor em lugar de manivela, mais novelos em vez de apenas quatro e sensores luminosos para o fio que acaba ou estoura. No mais, o operário ainda ganha por quilo de malha... e o chefe fica no pé, de olho na qualidade, etc. Mas há muitas novidades, certamente, ao lado do velho lucro, que move toda a cadeia de produção e consumo.



9. Por fim, dois ou três temas, bons para ensaios (valendo pontinhos no final do semestre, ainda a combinar).


Se fosse "from time to time" seria "de vez em quando"
(valendo para os ciclos de crise e de recuperação)



9.1 A noção de tecnologia não pode restringir-se a máquinas, computadores e química. A Embrapa desenvolve no nordeste do Brasil o cultivo de diversas variedades de algodão naturalmente coloridos. São cores suaves, umas cinco ou seis tonalidades, que fazem sucesso em pequenas produções de malha, sobretudo pra turistas. Aqui no Brasil central, já conhecíamos o algodão ganga. Uma beleza, que não leva corantes, não polui os rios, e gera emprego e renda na região. O Estado favorece não só o grande capital, o exportador, pois precisa gerar renda também para pequenos produtores, que ainda colhem algodão manualmente. Assim, a Embrapa, em suas diversas unidades é um patrimônio nacional, orgulho de nossa ciência. Essa estatal cuida, por exemplo, de reunir e proteger as variedades originais de milho e feijão, pois não podemos confiar nas multis e seus híbridos e transgênicos. E devemos apoiar, sim, a Embrapa, a agricultura familiar, a reforma agrária. E, para refrescar a memória: Collor queria acabar com a Embrapa, privatizá-la.



9.2 Será que as modelos podem ser vistas como empregadas da indústria têxtil? (Do mesmo que podemos ver pilotos de carro como empregados da indústria automobilística?) Fora o glamour e a fama de 3 ou 4 tops, milhares de moças e adolescentes esbeltas conseguem fazer sua curta carreira de promotoras de vendas de roupas (e milhões ficam fora dos concursos). Além disso, passam fome e sofrem com treinamentos e seleções, o que não difere muito – na balança - das operárias das tecelagem do século XIX, com jornadas de 15 horas, que também as deixavam magérrimas. E pior: muitas ficavam de fora, desempregadas. E outras moças, que não chegam a desfilar, idem.



9.3 Exemplo de pequeno avanço tecnológico e desemprego (com eventual queda no preço da fibra de cotton): por volta de 1975 a 80, plantavam algodão na região de Tupaciguara. Muitas mulheres e crianças faziam um bico lá, assim que as plantinhas atingiam um palmo. Era necessário “ralear” o algodão, desbastá-lo, para deixar menos plantas na linha. Até professoras, nas férias, ganhavam uns trocados na lavoura (e uma dor nas cadeiras!) Mas eis que alguém, em um laboratório, inventou de mergulhar as sementes de algodão em um ácido e... a semente ficou lisa, sem aquele restinho de fibra. Com isso, as plantadeiras passaram a ser reguladas para semear só a quantidade certa e distanciada de plantas. Economizaram caroços e mão de obra, pois não havia mais desbaste. E depois, as grandes lavouras dispensaram os panhadores de algodão também.

9.4 Até onde é possível “agregar valor” com alterações na cadeia produtiva? Em Goiás, nos anos 70, as lavouras de algodão envenenaram os céus e as águas. Nem urubu havia mais em Santa Helena, pois caía morto, agrotóxico... Folga para outros cultivos. E recentemente, em outra cidade, um plantador de algodão também instalou máquinas para fiação ao lado da lavoura. Será que poderia lucrar mais tecendo ali mesmo, do lado, toalhas e camisas? E, depois, poderia fazer crescer a população da cidade para vender ali mesmo sua produção? E aí abrir sem próprio banco...? Esse tipo de fantasia totalizante já teve sua versão seringueira: trabalho escravo + aluguel + mercearia... (Mas é claro que o processamento do algodão ao lado da lavoura é bastante racional, pois há subprodutos importantes como a torta feita das sementes – e com isso economiza-se em transporte, etc.) Enfim, há mais medidas novas para fugir da crise, com as quais Marx nem sonharia (mas sua teoria dava conta dessa verdade sobre o progresso técnico).



9.5 Qual é a relação entre indústria e artesanato? Como surgiram e como sobrevivem? Adolescentes gostam de amarrar uma camiseta branca e tingi-la em casa, à moda hippie. Mas de onde vem a tinta? E hoje alguns artesãos pedem por celular as sementes perfuradas de açaí para fazer pulseirinhas. Vem de sedex... E o que é customizar roupas, tunar carros? Não demora muito e a indústria interpreta as tentativas de “personalizar” os produtos em série. A mesma Hering já vende camisetas pintadas com spray, o que antes era um showzinho na praia, uma performance. Qual a tendência do design mundial? Que referência da cultura regional ainda permanece nos produtos da indústria globalizada (inclusive da “indústria cultural”)? Uberlândia dispõe de um Centro de Fiação e Tecelagem, onde tecedeiras trabalham e vendem suas peças: cobertas, caminhos, jogos de mesa e outras belezas urdidas ali, para turistas e lugareños. Quem não conhece? Na Avenida Ipê, chegando no Patrimônio, perto da OAB, onde era um matadouro, etc. Lembrem-se que essa foi uma grande básica, em tom de deboche: Engels disse que Dühring não sabia nada da grande indústria (e por isso não conseguia uma crítica adequada do capitalismo).



Prof. Bento Itamar Borges – 27.03.2012

Por fim, o endereço do museu da Hering e um vídeo sobre a criação dele:

http://ciahering.com.br/site/pt-br/Empresa/Museu+Hering

http://www.youtube.com/watch?v=u7XT4x6pRxo


Beija-flor prefere algodão sem química e sem veneno
para forrar seu ninho

(preservem os bichinhos)



sábado, 24 de março de 2012

O BOM PROGRESSO E A CRISE (RUIM)


Asas à imaginação: noventa anos dessa marca de manteiga
(esses mineiros inventam...)

Progresso é bom e parece bom que as cidades cresçam. Muitas incham, enquanto as de longe mínguam. Quantos arraiais em volta de Uberlândia não chegaram a comarca? A centenária Miraporanga, o Matogrossinho. Já ouviu falar?

Vai daí que muitos lançamentos imobiliários apelassem para o nome “progresso”, pra dar sorte, pra não falir. Daí que várias cidades tenham seu “Bairro Progresso”, ou setor Progresso, que é chique. Vila, não, pega mal. Itu, Juiz de Fora, BH, Blumenau, Bento Gonçalves, Criciúma, Ijuí, Sampa, etc. e Uberlândia: todas tem seu Bairro Progresso. E nem sempre é o mais desenvolvido e chique. É pra dar sorte. Assim também, em Uberlândia, temos os bairros Maravilha e Prosperidade. Um dia fica, um dia vem. Ou nunca.

Imagens do progresso: o modelo de avião foi atualizado
(o futuro já é mais como antigamente)

Parece que a crise é atual, constante, ao passo que o "progresso" ficou antigo, soa antigo. Parece coisa de bandeira positivista, com ordem e sem amor. Olha só. Quantas bandeiras no mundo tem algo escrito? A nossa foi feita para complicar a vida dos alunos. Quantas estrelas mesmo? Vejam a do Japão: cai na prova e os nerds acertam fácil, fácil.

O progresso é bom? Bom que nem um sol nascente. Por via das dúvidas, é melhor qualificar. Ora, não existe “surpresa ruim”, o nome disso é “decepção”. E existe esperança ruim? Esperar o pior é des-espero, igual não esperar nada. Pois vejam a lista parcial de nossos 7.000 municípios.

Quantas cidades tem nomes que começam com boa e bom? Uma amostra nada exaustiva:
6 cidades com o nome Boa Esperança,
2 Boa Hora,
1 Nova Saúde,
2 Boa União,
2 Boa Ventura,
1 Boa Viagem,
24 Boa Vista (!),
1 Boa Vontade,
1 Boas Novas,
1 Bom Conselho,
2 Bom Despacho,
1 Bom Destino,
1 Bom Gosto,
7 Bom Jardim,
23 Bom Jesus,
1 Bom Lugar,
3 Bom Princípio e... ela, o motivo deste post: a cidade de

Bom Progresso, no Rio Grande do Sul (que é pra não deixar dúvidas, tchê! Um rincão loco de bueno! Minha querência, que prospera barbaridade!)

E tem mais: Bom Repouso (ops! fica em Minas Gerais), 4 Bom Retiro, 9 Bom Sucesso (devia ser 10, pois minha Tupaciguara já foi “Abadia do Bom Sucesso”), Bombinhas (ops! essa não), 7 Bonfins e uma Confins.
Trevo de Bom Progresso - RS
(foto original  e embaçada)

Progresso é novidade – ou já quis parecer isso. Temos no Brasil umas 200 cidades cujos nomes incluem novo e nova. Muitas vezes, são imigrantes que prestam homenagem a suas saudosas Hamburgo, Friburgo, Odessa. E os migrantes, geralmente do sul para o norte, repetem na fronteira agrícola o nome de sua terrinha. Recomeços, como Nova Andradina, Nova Araçatuba, Nova Santa Rosa. E nomes inesperados como Novo Acordo, Nova Era, Nova Vida, Novo Triunfo. Só coisa boa. E até mesmo...Novo Progresso, no Pará. Podem apostar que há um CTG lá.

Os socialistas, comunistas e demais revolucionários desarmados pela promessa democrática já se entenderam como “progressistas”. Isso não funciona muito no Brasil recente, com seus 29 partidos políticos. Temos 2 ou 3 siglas com P de progresso, mas não pensem em socialismo aí:

PRP - PARTIDO REPUBLICANO PROGRESSISTA, registrado em 1991, PP - PARTIDO PROGRESSISTA, registrado em 1995. E onde foi parar o R dessa subtração? PRP menos PP = PR, ou seja o PARTIDO DA REPÚBLICA, aquele do Tiririca e das chantagens fisiologistas, registrado em 2006. Sem mais piadas, até porque o profissional é ele. E sabemos como são as dissidências.


O logotipo aí, com o boneco, indica quando muito uma visão humanista

E que tal misturar isso aí? O clube Boa Esperança, de Portimão, Portugal, vem com o espetáculo: “Aqui não tem crise!”

http://www.facebook.com/municipioportimao

E há algumas revistas acadêmicas com o nome Crise, Crisis e quetais. Se forem moderadas, cuidarão de gestão de crises. Só não há mais, por causa da falência. Os editores não pagaram o aluguel e... Exemplos: Comunicação e Crise; e Krisis - Tijdschrift voor actuele filosofie. Filosofia atual. Isso dá certa razão ao Joãosinho Trinta que, infelizmente, morreu às vésperas do último carnaval, mas consagrado pela fama e pela frase “quem gosta de miséria é intelectual”. Não é bem assim, pois não se pode atravessar a marcação do samba-enredo.



Adoniran Barbosa, filho único e vítima de uma lei de Murphy:

"É o progresso: o pão cai e cai com a manteiga pra baixo."

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Créditos: as duas fotos iniciais estão no site da fábrica de manteiga, que tem ótimo site em
http://www.laticinosaviacao.com.br/


sábado, 10 de março de 2012

KRISE, KALOTE E ONDA GIGANTE


Então, como dizem os mineiros ao retomar a conversa, já começamos a ler e reler o livro Crítica e teorias da crise, em sala de aula. Lêem os alunos e alunas, uns vinte, e releio eu, o autor do que foi antes tese de doutorado, UFMG, ano 2000. A sala de aula é de pós-graduação: depois da graduação, é hora de ler coisas mais complicadas (e de contar um pouco os segredos do ofício, o making of).

Na primeira aula, o professor quis mostrar a conexão entre sua pesquisa no mestrado e a seguinte, para obter seu Dr. Não escapamos muito do tema inicial, mas podemos mudar um pouco ou muito o enfoque, a direção: em vez de ir com a turma do Prof. Stein em busca de linguagem e fundamentação, encaramos por uns dez anos a crise. Na segunda aula, o professor expôs a Introdução do livro, que tem um título: "A dialética do progresso", esse movimento pastoso entre progresso e crise - tensão que fica bem quando associada à batida figura "dois lados da mesma moeda", já que o dinheiro  sofre na crise e nós com ele ou sem ele. (Ou seja: sobra mês no fim de nosso salário, minha cara comadre e marquesa. E um dos nomes da crise é a carestia, mais enganosa em tempos de real forte.)

Vamos tentar expor os próximos capítulos do referido livro, em forma de seminários a cargo de duplas ou trios de alunos. E seria bom tentarmos uma compreensão interna, sob as categorias da época, sem ilustrar o argumento com exemplos deste capitalista século XXI - para evitar a dispersão, que é o preço pago pela mania de "atualizar a discussão", o que nem sempre é pertinente.  Para isso, a primeira sugestão foi: reúnam, recortem e salvem artigos e arquivos e idéias sobre crise, para um painel a ser apresentado depois da leitura do livro. Há sempre uma overdose de artigos sobre crise, com usos e abusos do termo. Por exemplo, em torno da feira de cinema, Oscar 2012, falam novamente em crise do cinema. Desde sempre, essa "invenção sem futuro", que é a segunda área da indústria norte-americana. Mas agora a Kodak faliu...

Agora e aqui uma segunda proposta, que não exclui a primeira: trarei meus próprios textos e notas para este blog em fase de reanimação, com café forte, mas sem desfibrilador. Aos poucos, quero ver aqui, no novo papel social de "seguidores", todos os alunos da disciplina de quinta-feira. Sim, claro, vai rolar uma leve chantagem, como já aconteceu na graduação: podemos avaliar positivamente essa participação. Fazer o quê? Pontinhos aqui e ali.

Para inaugurar essa nova fase do blog, em seu revival, vem aqui um trecho lido na aula passada, em que fica estabelecida a distinção entre crise e catástrofe. O conceito "centífico" de crise exclui e demarca e evita recuos infinitos. Esse recorte faz parte da prática acadêmica. A crise assim entendida é fenômeno recente, mas já dura uns 220 anos. E arrasa quarteirões e continentes e bolsas.

A novidade neste post: o perigo da combinação de crise e calamidade.
Para quem não leu o texto (e ainda não teve a bela iniciativa de comprar um exemplar do livro), uma amostra grátis a seguir:

"4. O conceito de crise, enquanto conceito sociologicamente utilizável, foi inaugurado por Marx, na crítica da economia política. Esse fato da história da ciência coincide, inclusive, com a ocorrência dos primeiros eventos de crise econômica, que, por sua dinâmica e abrangência, sobrepujaram as grandes catástrofes naturais em sua capacidade de desintegração social. O fio condutor de nossa exposição das teorias das crises será o conceito sociológico, portanto, científico, de crise; do ponto de vista da dialética materialista, enquanto crise na sociedade, toda crise é desencadeada na economia - e mesmo quando a crise é negada ou tida como fenômeno perpetuado sob  controle do Estado, supõe-se que este domine os mecanismos de superar a crise ou seus efeitos. Todavia, ao longo de nossa exposição, apresentaremos outros elementos componentes do conceito, desde sua etimologia, através da história de suas acepções, até, inclusive, sua auto-reflexão. Ora, parte da crítica das teorias das crises, bem como do seu reverso, que é a fé no progresso, depende da recuperação daqueles elementos pré-científicos abandonados durante o desenvolvimento do conceito científico de crise. Uma dialética do progresso, como a esboçada por Adorno, e, portanto, caudatária da Dialética do Esclarecimento, mantém em sua tensão interna todas as conotações não-operacionalizáveis dos conceitos crise e progresso, tais como o sofrimento, a ameaça, o processo de decisão, a decadência, a provação, a expiação, o castigo, a compensação, o crescimento descontrolado da criatura. As categorias dos discursos teológico, dramatúrgico e médico aderem aos fenômenos de crise e à fé no progresso, não só para darem conta de um resto mítico, que permanece no “mundo enquanto contexto de crise”, mas também porque  conceitos historicamente carregados, como estes dois, não podem progredir até o ponto em que, na sua busca de cientificidade, percam a própria referência às categorias crise e progresso, que eles nomeiam. (...)" BORGES, Bento I. Crítica e teorias da crise. Porto Alegre, EDIPUCRS, 2004, p. 25-26)
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A crise já se arrasta na Grécia. E, se depender de Alemanha e França, vão arrastar os gregos e as gregas pelos cabelos para fora da Europa: fiquem aí no Oriente, com turcos e curdos! Eis o que gostaria de dizer em público esse truculento Sarkozy, secundado pela macambúzia Merkel. Hoje lemos no jornal que os credores privados da Grécia vão levar um calote de 200 bilhões. Por coincidência, nesse dia 11 de março, os japoneses e o restante dos terráqueos vão se lembrar do tsunami seguido de acidente nuclear, há um ano. O prejuízo do Japão teria sido de 400 bilhões. Sem falar em mortos e feridos e contaminados por radiação, podemos ver que a catástrofe natural deu de dois a um na crise econômica. Tsunami custou o dobro. A diferença sempre lembrada pela mídia é que os inteligentes japoneses já reconstruíram quase tudo. Inclusive aquela escada rolante voltou a rolar, ao passo que a diretora do FMI vem com seu cabelo descolorido e sua pasta de medidas amargas e impopulares para os gregos.

Retórica à parte, pois aqui forcei a barra em torno de duas quantias de dinheiro. E não procede, pois são dois países e parece que as duas situações não tem conexão. Será que não? O Japão e a Alemanha, duas grandes potências em desespero permanente, sairam da guerra e apelaram para a tecnologia nuclear, pois tinham pressa em produzir e precisavam de energia. Agora, depois da tsunami que destruiu a usina nuclear, ambos países prometem reduzir esse tipo de produção de energia. Duvidem, pois não vão querer baixar seus PIBs. E aquela escada rolante, exemplo de conforto e normalidade no Japão, também consome energia... nuclear, como todos os carrinhos elétricos de ambos os países - que não são alternativa "sustentável" coisa nenhuma! Tratem de pedalar.

É claro, portanto, voltando a meu livro, que o pior dos mundos é quando uma calamidade natural leva a uma crise financeira - ou associa-se a ela, agrava-se, etc -, com desdobramentos diversos para outros sub-sistemas. No Haiti, vimos que, infelizmente, desgraça pouca é bobagem: o terremoto foi seguido de doenças terríveis e a miséria de sempre. E, nesse caso lamentável, as coisas já vinham ruins antes por motivos políticos: uma ditadura que passava de Papa Doc para Baby Doc, ou seja, a dinastia dos bichos-papões, os tonton macoutes. E antes ainda: a exploração nos tempos coloniais, que não acabaram por completo. Falam francês lá, não se esqueçam. Economia, natureza e política em degeneração combinada. Mas, igualmente juntas vêm a vontade de trabalhar e de democratizar aquela ilha, etc. (E o Brasil pode e deve ajudar os haitianos aqui e lá, os refugiados, clandestinos que buscam trabalho - não basta enviar tropas, etc.)

Os japoneses não poderão segurar ondas gigantes, pois se fizerem uma parede de dez metros, as ondas poderão vir com onze metros e... (Cá pra nóis: as baleias são vingativas e organizaram esses terremotos e maremotos... Os japoneses deviam parar com a matança de nosssas irmãs mamíferas e vegetarianas, além de desligar essas usinas perigosas, que não são exatamente uma prova de inteligência).

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

TROQUE SEU FACEBOOK POR UM BLOG POBRE



Resistência cultural. Sempre associada a campanhas como a de Paulo Freire, nos tempos da boa briga contra o imperialismo. Tipo comer uma buchada de bode no exílio ou ler cordel na Sorbonne.

Agora, ouvir música em vinil ou ver filmes em super oito. E já que tudo acelera na onda dos negócios e falências virtuais, manter um blog já é tarefa de dinossauro. Os blogs, que já chegaram a 130 milhões no mundo, caíram para 10% disso. Este aqui não morrerá à mingua, tão cedo. Mais ainda agora, depois do carnaval ("eu vou tomar juízo").

Chega de facebook. Cansado de fofocas, curtições e comentários de uma linha? São milhões nessa condição. Não faremos campanhas de conversão. Cada um na sua, a seu tempo. Mas verdade é que para retomar este blog Habermas, o tempo livre tem que ser cavado à força. Sobrou para o face. Fases.


Um bom motivo para um revival: uma disciplina oferecida pelo blogueiro no programa de pós-graduação da UFU. De repente, retomamos alguns motivos da obra de Habermas, cuja crítica queremos continuar. E poderão vir para cá também os assuntos ligados às comunicações, à teoria da comunicação, à crítica aos meios de comunicação, etc. e tal. Os alunos do mestrado poderão aderir, seguir, dar palpite aqui.


Por enquanto, além de malhar a perda do tempo adolescente em "redes sociais", convém fazer uma homenagem à linearidade e aos equipamentos com algum mecanismo. Fita cassette, por exemplo, na caixinha, kurz: K7. Paulo Irineu acaba de enviar um vídeo em que ensina a emendar a fita. Ele cola as pontas com esmalte. Costumava-se colar um pedacinho de fita durex, por dentro. Mas era mais fácil nas boas fitas TDK, parafusadas. Nas fitas coladas, o procedimento complica-se um pouco.


No reply do email, lembrei ao colega Paulo do interessante filme brasileiro Durval discos. O cara dos vinis se recusa a vender CDs. E a história naquele sobradinho paulistano descamba para o surreal.

Theodor Adorno desanimado com a teoria crítica encerrou seus dias com um resto de esperança e resignação: uma mensagem lançada ao mar em uma garrafa. Bela imagem para a teoria crítica, que ficaria ali resguardada contra a barbárie iminente, até quem sabe um dia.

msg: pen drive à deriva


De repente, caberá a alguns curiosos e ligeiramente malucos retraduzir e reconduzir novas tecnologias de volta às antigas, que não morreram de todo. Neste ano de 2012 foi premiado com Oscars um filme mudo em preto e branco, embora filmado em sistema digital.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

O RETORNO DO KANT MARXISTA

A senha deste blog, que não é nenhum Batalhão de Logística, esteve congelada em algum container no Pólo Norte. Agora volta, sem prometer posts com regularidade. Não faltará assunto, podem apostar, mas não é fácil correr atrás de três coelhos.

Uma das idéias, dessas ressecadas na gaveta, talvez seja publicar os byproducts de um doutorado na Alemanha. Alguma coisa parecida com a versão mestiça da Minima Moralia: impressões de um latino-americano na Alemanha de Habermas, por volta de 1993.

E ainda podemos ajudar nosso filósofo comunicativo a bater em alguns adversários, tipo Kelsen, por exemplo.

E podemos estender a conversa a outros nomes da Teoria Crítica. Nomes e caras. Para um reaquecimento da caldeira, vejam isso. Não há uma certa simetria entre esses dois retratos?







Adorno e Marlon Brando, em Apocalypse Now (and then).















quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

PLAYMOBIL do HABERMAS


É fácil encontrar essa imagem do lado. Uma mulher segura uma bandeira com três fitas, nas cores francesas. E Habermas, caracterizado com algum traje de receber mais um título de doutor honoris causa, o topete grisalho. Enfim, muito engraçadinho e serve para completar montagens de castelos e multidões em escala de um por vinte e cinco. O grande lance é que a figura com a bandeira representa Olympe de Gouges, uma militante dos direitos humanos das mulheres. Muito pertinente a dupla, na montagem, pois Habermas teve que ouvir um monte de reclamações de militantes feministas nos anos enta e enta, logo depois de publicar sua tese sobre a esfera pública (1962). Não teria havido uma esfera pública feminina ou feminista? Habermas levou uns trinta anos para responder que não. Em um novo prefácio, explica que sua pesquisa não encontrou registros, embora isso e aquilo. Será que convenceu o mulherio engajado? É de se duvidar.

Um bonequinho de Adorno ficaria bem. Nesse caso, uma vingança da indústria cultural que põe na linha de montagem e no esquema de mercado a figura mais ranheta contra a sociedade alienada de consumo. Tipo assim, um rap com citações de uma peça de Mozart. O que não seria novidade, pois um hit repetia nos oitenta "I like Chopin" (entram acordes fora de contexto). E um outro pedia que Beethoven fosse para o acostamento: Roll over, Beethoven - que aliás virou nome de cachorrão atrapalhado em filme norte-americano sessão da tarde. Feito para crianças de dez anos, por adultos com idade mental de... uns seis.

Mas aqui, não. A Lego não brinca em serviço. E seu serviço é miniaturizar figuras e cenas e carros. Vejam outros bonccos filosofantes nos sites http://www.flickr.com/photos/helico/362481791/ + http://www.flickr.com/photos/helico/362481790/in/photostream/ Tem também Descartes, Averróis, Tomás de Aquino, Lao-Tsé e... Marx. Muito legal. Imaginem o que pode de render de conversa com as crianças, em torno da brincadeira e da coleção...

E atenção, pais e mães e babás que lêem blogs de filósofos que perdem tempo escrevendo sobre filósofos transformados em minúsculos bonecos! Crianças menores de 3 anos não devem brincar com o filósofo, pois podem engolir peças. No caso da boneca com a bandeira, a primeira peça a rolar é sua cabeça... (Omitam isso para crianças despreparadas) . E, como diria o Chaves ao Kiko: gente grande também pode engolir essas peças de brinquedos - mas não os desaforos da gentalha, gentalha!

PLOCON AVISA: cuidado com as imitações orientais. O legítimo Habermas escreveu Fakzität und Geltung e brilha de noite e de dia em todo o Ocidente social-democrata.

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Mais sobre a bonequinha Olympe de Gouges, na Wikipedia:
Olympe de Gouges, pseudônimo de Marie Gouze (Montauban, 7 de maio de 1748 — Paris, 3 de novembro de 1793) foi uma feminista, revolucionária, jornalista, escritora e autora de peças de teatro francesa. Os escritos feministas de sua autoria alcançaram enorme audiência. Foi uma defensora da democracia e dos direitos das mulheres. Na sua Declaração dos direitos das mulheres e da cidadã (em françês: Déclaration des droits de la femme et de la citoyenne) de setembro de 1791, desafiou a conduta injusta da autoridade masculina e da relação homem-mulher que expressou-se na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão durante a Revolução Francesa. Devido aos escritos e atitudes pioneiras, foi guilhotinada na praça da Revolução, Paris.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O HABERMANS E O ROTWEILLER








Não confunda o nome dos homens. E "homem" em alemão é Mann. Daí que temos muitos nomes próprios, sobrenomes, que terminam em Mann: Zimmermann, Herrmann, Mannesmann e tantos outros. Pois não é que um certo alemão, da família Dobermann, inventou uma raça de cachorro que leva seu nome? Até então, Dobermann não era nome de cachorro. Assim como Ford não era marca de carro, antes de 1929. Então não tenham medo da palavra cão e nem do nome Dobermann. Pense no filhote, mansinho.

É que muitos alunos cometem esse deslize que soa engraçado: escrevem Jürgen Habermans. E nisso de acrescentar um N evocam tanto o homem quanto o homem que deu nome ao cão. E é cachorro grande, cachorro brabo, dos mais temidos, sem dúvida. Inteligente também, posso dizer. Besteira o lance do cérebro maior que o crâneo, a comprimir-se e enlouquecer o animal. Mas não convém encherem a barriga com dois quilos de ração e água e em seguidinha descer a ladeira do portão. Numa freada brusca, o estômago pode comprimir o coração e...

Mas o que é que esse cachorro de bad boy está fazendo aqui? De repente atrai um bad boy, depois da academia, que vai ler sobre um filósofo alemão, que tem um nome parecido com, etc.

Ora, na foto acima, a mensagem típica para muros e portões - "Aqui eu vigio" - não tem quase nada a ver com Habermas. A não ser que o vejamos como o guardião da velha modernidade racionalista. Mas não precisa ser cão de guarda pra vigiar um negócio desses; até gato vigia alguma coisa. Sua casa, inclusive.


Para um contraponto - e isso talvez compense para o pesquisador, que não sabia ainda - o mestre de Habermas também já se apresentou com nome de cachorro. Na raça, o aparentemente dócil Theodor Adorno, já adotou o pseudônimo de Erich Rottweiler.


Confiram em Martin Jay ou Kothe. Naqueles tempos bicudos da besta-fera comendo solta, era bom esconder o nome e o nome do meio. Se era...

Mas como assim, "dócil"? dirão revoltados os adornianos de carteirinha. Assim dócil, responde este blog, manso como sói ser um ursinho de pelúcia, apelidado Teddy, my Teddy "Bär". Olha, isso foi coisa de americano, botar apelido de Teddy em um venerável mestre Theodor. Nada de insinuar que sua crítica seja ou fosse entonces inofensiva.

Aproveitemos a deixa: nada de apologia aos cães bravos, pois na aldeia da Alemanha em que morei, Hohnstorf bei Bienenbüttel, só um nazista tinha cachorro pastor alemão (que é lá é só "Cão pastor"). Muito agressivo, dizia o vizinho Hans-Werner, que tinha um perdigueiro chamado Luiz, aliás Ludwig, que lembra outro filósofo, etc. E, a propósito, este blog não vigia nada - nem pela correção gramatical, depois da reforma orthographyca.

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TRANSLATION: It's sometimes funny when my students write HabermaNs, instead of Habermas, because I think they mix the family name of our philosopher with that german dog "Dobbermann". By the way, Adorno had also adopted "Erich Rottweiler" as pseudonym - and this is another german dog race. Well, perhaps Adorno would like to present himself as a fierce animal, but in the USA where he lived in exhile he was called Teddy, because of his first name Theodor. Well, this a childish form for calling puppy bears. And, in fact, we hope that Critical Theory can still be effective - it could not only grasp concepts but also bite "reality" and the postman who disseminates ideology. And say no to dangerous dogs. Give cats a chance.