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sexta-feira, 18 de junho de 2010

Hoje é sexta-feira... Bavária, Bavária, Bavária!



Que todos se lembrem de beber um gole de cerveja, nesta sexta-feira, em homenagem ao homem aí.



Habermas completa hoje 81 anos. Não é pouca coisa.



Parabéns ao nosso autor predileto neste blog.



Uma boa vida para ele e lembranças a Dona Ute.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Wem sonst als Dir




Este blog prometeu um perfil familiar do filósofo Habermas. Cá estamos de volta. Como prometido, apresentamos duas obras que ele dedicou a pessoas de suas família.
A importante obra "Teoria do agir comunicativo" de 1981 foi dedicada a sua esposa Ute Wesselhoeft. Aliás, como disse Hölderlin, "a quem se não a ti" - Wem sonst als Dir.
Já a obra "Discurso filosófico da modernidade" foi dedicada a sua filha Rebekka ao lado do seguinte agradecimento: "por me ajudar a compreender melhor o pós-estruturalismo".
Foto de 1979 retirada do livro "Jürgen Habermas zur Einführung" de Detlef Horster

Garranchos em alemão: quem consegue ler isso?

Clique na imagem para maximizar

Quem conseguir ler e traduzir esta frase de Habermas contribui para resolver um mistério que já dura mais de vinte anos. Enviem sugestões. Não temos prêmios a distribuir, mas, de repente, quem solucionar a charada poderá ganhar pontos na entrevista para bolsas do DAAD.

Esse trocadilho precioso já deve ter sido feito: teoria CRÍPTICA refere-se à parcela hermética, incompreensível dos autores ligados a Escola de Frankfurt. O que pode significar "o pulo do tigre para fora da história"? Ou "cuidado para não recair na barbárie, onde já estamos"? Ou "o progresso existe e não existe"?

Cripta é caverna, subterrâneo. E "críptico" é usado para "escondido", cifrado...

Deixamos aí um exercício de criptoanálise da escripta de Habermas, na verdade manu-scripta.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Criptografia habermasiana: participe você também!

Você não ganhará uma passagem para a África do Sul, mas poderá solucionar um enigma que já dura mais de 20 anos!

Aguarde novas informações...

Em breve, fac-símile da garatuja original.

Mobilität ist Leben (Mobilidade é Vida)


O que pensar de um bolsista que vai fazer pesquisa de doutorado na Alemanha? Beleza, é o que muitos queriam. Aí esse hipotético doutorando vai visitar Frankfurt. Era de se supor que ele fosse visitar a "Escola de Frankfurt". Mas... o evento em questão, em 1993, não foi nenhum congresso de filosofia e, sim, uma exposição de automóveis.

O lema da indústria de carros era então "Mobilidade é vida" - e aqui não vamos brincar com a paciência dos leitores do blog; não vamos passar de "vida" ao difícil conceito "mundo da vida". Não cabe forçar a barra tanto assim.

Em defesa do dito cujo - e do suado dinheiro do contribuinte, pois só o pessoal das ciência humanas se preocupa com isso - lá vai: não existe um prédio chamado Escola de Frankfurt. O prédio do Instituto de Pesquisa Social foi bombardeado na guerra e, depois, reconstruído. Sem aura, deveria ter dito Adorno.

Por fim, o argumento marxianamente correto: em uma feira de carros e de concept cars, predomina o desenvolvimento tecnológico, que alimenta as forças de produção e, daí, a luta de classes, etc. Por outro lado, a visita ao prédio por onde passaram famosos teóricos críticos seria uma típica recaída na fetichização.

Além disso, os carros eram muito bonitos e fazia um belo domingo de primavera às margens do Meno em agosto de 1993.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

O FILÓSOFO TROPEÇA E LULA RI


Capa Folha de São Paulo, 25 Outubro de 2003

A cena se repete. Diógenes Laércio teria gostado de vê-la, se ele tivesse um video cassette player com a tecla rewind. Diógenes conta que Tales de Mileto caiu em um poço, enquanto olhava as estrelas. Distraído ou concentrado, tanto faz, pois o estereótipo do filósofo voado é antigo. Vinte e cinco séculos, pelo menos. E uma jovem criada trácia riu de Tales, o que equivaleria a alguma frase preconceituosa do tipo “uma empregada doméstica vinda de Quixeramobim pôs-se a rir do cavalheiro que descia do bonde”.

Pois agora é o operário de Garanhuns que riu do filósofo alemão, que tropeçou no tapete vermelho de sua Majestade, o Príncipe das Astúrias. Esse mundo é uma bola. Quem haveria de imaginar esse inusitado encontro. Lula e Habermas, em 2003, receberam um prêmio da realeza espanhola. O riso de Lula foi discreto, automático. E ele não estava perto para estender o braço e evitar que o filósofo caísse. E nem parece que caiu. Só subindo pelas tabelas, aliás.

A foto, que está no site de assinantes da Folha de São Paulo, não permite ampliação, e nem dá para confirmar se Lula riu ou não riu. O importante foi esse “momento histórico”: um intelectual europeu influente e um operário-sindicalista bem sucedido na política que vai nos tirando do Terceiro Mundo. Reparem que o jornal quis também dar uma rasteira em Lula, “puxar seu tapete”, ao ressalvar no subtítulo da edição da véspera: Lula vai à Espanha receber prêmio que FHC já recebeu. Palmas pra FHC também, de boa. E um muxoxo para o editor da FSP.

Hoje, oito anos depois, os cabelos de ambos estão cada vez mais brancos e cada um soma mais e mais prêmios e homenagens. E é claro que este nosso blog contém uma homenagem constante a um desses senhores, que são referência para o século XXI. Nosso século começa navegando entre a social-democracia e a globalização de mercado. Entre a “guerra ao terror” e a devastação da natureza. E não sabemos o que vem por aí. Mas, como disse o assistente do delegado a Deckard, no filme Blade Runner, “quem é que sabe, afinal?”

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Não leve este autor muito a sério

Em 1989, durante a visita de Habermas ao Rio de Janeiro, o dito professor foi apresentado ao filósofo alemão, após uma de suas conferências. A apresentação coube ao Prof. Valls, que se referiu ao até então desconhecido como "o tradutor do livro de Raymond Geuss". Não esperem nenhuma revelação muito estrondosa. Habermas riu e disse, em tom de recomendação: "Não leve Geuss muito a sério". Trata-se do livro "Teoria Crítica: Habermas e a Escola de Frankfurt" (Editora Papirus, 1988), que dá uma abordagem analítica da obra de Habermas até 1980, em torno de três temas: Ideologia, interesse e teoria crítica. A verdade é que o livro foi levado a sério e é muito citado por aí. Está esgotado há muito tempo e muitos estudiosos pedem desesperadamente uma segunda edição, pois os sebos estão cobrando uma fortuna. A assessoria de imprensa do professor-tradutor comunica que ele topa a tarefa e até poderia preparar uma nova apresentação. Editoras, candidatem-se e entrem na fila.