Total de visualizações de página

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Habermas in Rio: um show de encerramento

Considerações finais

Em continuação a conferência do dia 5 de outubro de 1989, no Rio de Janeiro, Habermas faz suas considerações finais:

- Venho aqui, à América do Sul, como professor de filosofia, para discutir com colegas e estudantes bem informados. Como estou pela primeira vez neste Continente, para aprender, apesar da rapidez. Conceitos e (...) são muito vazios. Estive oito dias em Lima, vi os bairros pobres, subi pelos Andes. Aí podemos ver o que fazer com as estatísticas que lemos antes. Ao vir aqui entendo um pouco melhor o que é viver em um país do Terceiro Mundo. Aqui, especialmente no Brasil, onde tudo acontece de forma tão simultânea... Belíndia.

[Habermas referia-se a um chavão do jornalismo de então, para ilustrar a velha tese já exposta no clássico livro Os dois Brasis – a expressão, de mau gosto, aliás, somava o melhor da Bélgica e o pior da Índia para dar conta de nosso desenvolvimento desigual.]

Flávio B. Siebeneichler, moderador e tradutor da conferência e das perguntas, diz, nesse ponto à platéia: “O Professor Habermas esteve tão interessado que até nos incitou a continuar o debate” (quando o horário já tinha vencido). Não me lembro se o público ainda fez perguntas (interessantes).

[Transcrição do Prof. Dr. Bento Teixeira de Menezes]

O reformista radical


ELE NÃO VESTIU ESSA CAMISA


Resposta de Habermas a uma pergunta de Álvaro Valls, no debate que se seguiu após uma das conferências do visitante alemão, no dia 5 de outubro de 1989, no Rio de Janeiro.


A pergunta não foi transcrita, mas é possível deduzi-la, pelo teor da resposta.

- Fui em 68 e ainda me considero um “reformista radical”¹. Marcuse e Fromm tinham uma autoconsciência revolucionária, mas não sei se meu amigo Herbert acreditava no que dizia. Sinto um desconforto ao ver os maoistas franceses de 68 como são hoje: neoliberais, nova direita, etc.

Ser intelectual no espaço público. Não podemos “criar sentido”, mas, sim, fazer a mediação com as ciências, ser cidadão normal, que interpreta a situação política. E podemos oferecer propostas que possam convencer o outro, mas o outro sempre poderá dizer “isso é bobagem”.

Ainda me sinto pertencendo à esquerda, com mais precauções. Deveríamos verificar a diferença de papéis entre intelectuais e políticos – os intelectuais de partido, organizadores de uma ação política, etc. Não quer dizer que a divisão de papéis implique que não se possa fazer todo o resto. Os partidos leninistas e maoistas mostraram como é fatal fazer o curto-circuito entre trabalho intelectual e público-político: tomar decisões, fazer algo arriscado – não deixar a decisão para alguns gurus.



¹Habermas já havia se posicionado sobre o “reformismo radical” (no seu caso, à esquerda da Social-democracia e contra o leninismo, etc.) em entrevista ao jornal Le Monde, dia 19 de outubro de 1980. {Filosofias, entrevistas do Le Monde. Ática, 1990]

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Hoje é sexta-feira... Bavária, Bavária, Bavária!



Que todos se lembrem de beber um gole de cerveja, nesta sexta-feira, em homenagem ao homem aí.



Habermas completa hoje 81 anos. Não é pouca coisa.



Parabéns ao nosso autor predileto neste blog.



Uma boa vida para ele e lembranças a Dona Ute.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Wem sonst als Dir




Este blog prometeu um perfil familiar do filósofo Habermas. Cá estamos de volta. Como prometido, apresentamos duas obras que ele dedicou a pessoas de suas família.
A importante obra "Teoria do agir comunicativo" de 1981 foi dedicada a sua esposa Ute Wesselhoeft. Aliás, como disse Hölderlin, "a quem se não a ti" - Wem sonst als Dir.
Já a obra "Discurso filosófico da modernidade" foi dedicada a sua filha Rebekka ao lado do seguinte agradecimento: "por me ajudar a compreender melhor o pós-estruturalismo".
Foto de 1979 retirada do livro "Jürgen Habermas zur Einführung" de Detlef Horster

Garranchos em alemão: quem consegue ler isso?

Clique na imagem para maximizar

Quem conseguir ler e traduzir esta frase de Habermas contribui para resolver um mistério que já dura mais de vinte anos. Enviem sugestões. Não temos prêmios a distribuir, mas, de repente, quem solucionar a charada poderá ganhar pontos na entrevista para bolsas do DAAD.

Esse trocadilho precioso já deve ter sido feito: teoria CRÍPTICA refere-se à parcela hermética, incompreensível dos autores ligados a Escola de Frankfurt. O que pode significar "o pulo do tigre para fora da história"? Ou "cuidado para não recair na barbárie, onde já estamos"? Ou "o progresso existe e não existe"?

Cripta é caverna, subterrâneo. E "críptico" é usado para "escondido", cifrado...

Deixamos aí um exercício de criptoanálise da escripta de Habermas, na verdade manu-scripta.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Criptografia habermasiana: participe você também!

Você não ganhará uma passagem para a África do Sul, mas poderá solucionar um enigma que já dura mais de 20 anos!

Aguarde novas informações...

Em breve, fac-símile da garatuja original.

Mobilität ist Leben (Mobilidade é Vida)


O que pensar de um bolsista que vai fazer pesquisa de doutorado na Alemanha? Beleza, é o que muitos queriam. Aí esse hipotético doutorando vai visitar Frankfurt. Era de se supor que ele fosse visitar a "Escola de Frankfurt". Mas... o evento em questão, em 1993, não foi nenhum congresso de filosofia e, sim, uma exposição de automóveis.

O lema da indústria de carros era então "Mobilidade é vida" - e aqui não vamos brincar com a paciência dos leitores do blog; não vamos passar de "vida" ao difícil conceito "mundo da vida". Não cabe forçar a barra tanto assim.

Em defesa do dito cujo - e do suado dinheiro do contribuinte, pois só o pessoal das ciência humanas se preocupa com isso - lá vai: não existe um prédio chamado Escola de Frankfurt. O prédio do Instituto de Pesquisa Social foi bombardeado na guerra e, depois, reconstruído. Sem aura, deveria ter dito Adorno.

Por fim, o argumento marxianamente correto: em uma feira de carros e de concept cars, predomina o desenvolvimento tecnológico, que alimenta as forças de produção e, daí, a luta de classes, etc. Por outro lado, a visita ao prédio por onde passaram famosos teóricos críticos seria uma típica recaída na fetichização.

Além disso, os carros eram muito bonitos e fazia um belo domingo de primavera às margens do Meno em agosto de 1993.